Contratar pessoas não é um bicho de 7 cabeças!

Miguel Bragança - 07/11/2018

Normalmente quando temos de contratar pessoas existem várias coisas que passam pela cabeça de alguns empresários e gestores tais como:

“Será que consigo pagar este nível de ordenados?”
“Como vou arranjar tempo para formar estas pessoas?”
“E se fizer eu próprio este trabalho será que não poupo dinheiro e tempo?”
“E se contrato a pessoa errada o que faço?”

Não se preocupe – se é o seu caso, é normal que tenha estas dúvidas e questões. Mas vamos por partes em cada um destes desafios.

 

Dinheiro

Quando tem de contratar tem de saber antecipadamente se a tesouraria da sua empresa suporta ter esta(s) pessoa(s). Para tal, a empresa tem de ter um mapa previsional dos cash-flows ou simplesmente mapa de tesouraria; além disso tem de saber se em termos económicos, ou seja, em termos de demonstração de resultados da empresa a contratação dessa(s) pessoa(s) não afeta para além do esperado/orçamentado a rentabilidade/lucro da empresa. Assim, verifique quer em termos financeiros, quer em termos económicos o impacto do recrutamento. Uma nota: não se esqueça que o impacto não é só na saída de dinheiro e custos mas também nas receitas e proveitos principalmente se estivermos a falar de vendedores!

 

Tempo

Nem vou perder muito tempo (perdoe-me usar este termo aqui…) a explicar que contratar pessoas na realidade poupa-lhe tempo para aquilo que é verdadeiramente importante. Se não estiver a contratar pessoas à medida que o seu negócio vai crescendo então não o está a fazer crescer verdadeiramente e vai trabalhar cada vez mais horas por dia e você passa a ser o maior entrave ao próprio crescimento da empresa! Coloque na sua agenda tempo para formar as pessoas que contrata; sim, vai “perder” esse tempo inicialmente mas como qualquer bom investimento o retorno do investimento em pessoas é enorme! Quando estamos entusiasmados com qualquer coisa arranjamos sempre tempo… Lembre-se: se não formar as pessoas você não vai deixar o seu negócio crescer…
Aqui há uma crença, muito comum nos empresários, que tem a ver com o facto de se acreditar que ninguém fará o trabalho melhor que nós. Digo-lhe frontalmente que não é verdade… é claro que há no mercado profissionais melhores que nós e mais: em geral, os empresários são generalistas – sabem fazer de tudo um pouco – em quanto que os técnicos, sejam de que área forem, são especialistas. Por isso não tenha receio de contratar um especialista melhor do que você para um determinado trabalho mas lembre-se: é um especialista – dificilmente vai fazer muitas coisas diferentes – o único generalista que deve haver na empresa é… você! O seu trabalho é ser empresário ou ser especialista? Porque a sua resposta é “ser empresário” então deixe-me dar-lhe uma novidade – você “não foi contratado” para fazer trabalho técnico mas sim para desenvolver um negócio/empresa por isso deixe o trabalho técnico para… os técnicos! Uma outra nota: entende-se por trabalho técnico, além do trabalho verdadeiramente “técnico” da empresa, qualquer um que não seja o de ser empresário ou seja: vendas, administrativo, etc.

 

Pessoas

As pessoas dão trabalho – é um fato. Mas se contratar as pessoas certas à primeira o seu trabalho como empresário fica infinitamente mais fácil; rodeie-se das pessoas certas e juntos vão conseguir alcançar todos os objetivos! O recrutamento (e avaliação) das pessoas passa por 4 dimensões por esta ordem decrescente de importância:

– Querer
– Valores
– Resultados/Performance
– Competências

 

 

 

 

 

Quando as pessoas não querem tudo o resto é irrelevante. Quando querem muito, tudo o resto torna-se possível; querem estar na nossa equipa, partilhar dos nossos valores e Visão, querem sentir que fazem parte de um todo vencedor. O seu sistema de recrutamento deve avaliar esta componente acima de tudo e a melhor forma é ter um processo que não contrata à pressa – se tiver de demorar semanas ou meses a contratar e com várias fases, faça-o – é dos melhores investimentos que pode fazer. As pessoas que ficam são as que realmente querem; as outras, auto-excluem-se do processo por isso deve praticar a “desseleção” quando contrata pessoas. Se puder fazer um “test drive” tanto melhor e obviamente pague por esse trabalho inicial – é uma óptima forma de verdadeiramente avaliar as 4 dimensões que menciono acima.

E quando as coisas não funcionam? Lembre-se do seguinte: contrate devagar e despeça rápido pois há muitas pessoas que vão-se sentir mais realizadas e produtivas noutros contextos e equipas.

Contratar pessoas é o melhor sinal para si e para a sua equipa de que estão todos numa empresa vencedora por isso invista tempo na seleção e formação das pessoas – todo o que for necessário para garantir que você faz realmente o seu “trabalho”: criar uma empresa com um modelo de negócio vendedor e sustentável!

Miguel Bragança

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